Discours historique dans viva o povo brasileiro

Disponible uniquement sur Etudier
  • Pages : 17 (4129 mots )
  • Téléchargement(s) : 0
  • Publié le : 26 mai 2010
Lire le document complet
Aperçu du document
Inicialmente, deve-se esclarecer que o presente texto, que servirá para a avaliação da disciplina Estudo de Teorias e Representações da Literatura e da Cultura, ministrada pela professora Adriana Telles, da Universidade Federal da Bahia, caracteriza-se como ensaio apenas pelo seu formato. Segundo Antônio Joaquim Severino, o ensaio exige grande informação cultural e grande maturidade intelectual,logo, o conteúdo deste trabalho não apresenta a profundidade requisitada para a elaboração de um ensaio, uma vez que as autoras deste trabalho apenas iniciam o curso de graduação e ainda não possuem, portanto, background nem posicionamento crítico formado. Sendo assim, o conteúdo deste texto objetivará apontar e relacionar as discussões e as diversas bibliografias que tratam das relações entre odiscurso historiográfico e o discurso literário na obra Viva o Povo Brasileiro, de João Ubaldo Ribeiro, sob a perspectiva de formação da identidade nacional, baseando-se especialmente no ensaio O imaginário brasileiro, de Eneida Leal Cunha.
A apropriação do discurso literário pelo discurso historiográfico se dá muitas vezes pela periodização dos fatos literários. Desta historicização daliteratura, derivaram-se a divisão da produção literária em estilos de época, conforme a didática do ensino de literatura nas escolas, e a legitimação do lugar do autor como ponto de observação do texto literário, ou seja, a biografia do autor tida como determinante para a análise do texto literário e como elo entre literatura e mundo exterior.
A história da literatura peca, portanto, pela “abstinênciaestética”, como afirma Hans Robert Jauss, em A História da Literatura como provocação à Teoria Literária. A filosofia idealista da história, para a qual a razão se estabelece progressiva e cronologicamente, buscava encontrar na série literária a idéia fundamental que a atravessa e a conecta ao mundo. Tal concepção saltou do princípio da história universal da humanidade para a idéia deindividualidade nacional.
No Brasil, por exemplo, a geração romântica se incube da tarefa de formular um imaginário social para o Brasil. “A literatura nacional (...) outra coisa não é senão a alma da pátria.”, já propunha José de Alencar. Do empreendimento romântico para dar uma “alma” ao Brasil, resultou o conceito de “etnicidade fictícia” que, excludente, renega a atuação do negro no processo de formaçãocultural e eleva o índio, contra todas as evidências do extermínio colonial persistente no universo dos autores da época, ao estatuto de herói nacional, formador junto ao europeu da base racial brasileira. “O Instituto Histórico Geográfico Brasileiro” (1838) que tinha de construir uma memória nacional oficial, complementou essas representações de identidade criada pela literatura.
A história daliteratura deveria, então, aglutinar os fatos literários em favor da idéia de nação, e na construção de mitos que surgiriam tanto no discurso histórico quanto no discurso literário.
A literatura sob a perspectiva histórico-positivista esbarrou-se, então, na impossibilidade de entender o nexo da historia, que “jamais se revela em sua totalidade” (JAUSS, 1967). Além disso, considerar o discursohistórico como sendo cientifico é considerar que o historiador se mantém fora da história e de suas implicações. Ao contrário, a figura do historiador carrega subjetivismo e, como esclarece Hayden White, “(...) houve uma relutância em considerar as narrativas históricas como aquilo que elas manifestamente são: ficções verbais cujos conteúdos são tanto inventados quanto descobertos”. Para Paul Veynes,historiador “constrói a temporalidade, recorta e seleciona os dados do real, reinventando o passado.”.
O advento da teoria literária, no século XIX, tem por mérito a alforria da literatura em relação às demais ciências que dela se apropriavam, dentre elas, a história, e almejava, num primeiro momento, desvendar aquilo que se mantém imanente em todo texto literário, e depois, “compreender a...
tracking img