Faze-te sem limites no tempo: poetas novos de portugal, de cecília meireles

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II Seminário Brasileiro Livro e História Editorial

Faze-te sem limites no tempo: Poetas Novos de Portugal, de Cecília Meireles Débora Araújo Drumond de Oliveira1 Universidade Federal de Minas Gerais (Iniciação Científica) Orientadora: Professora Dra. Sabrina Sedlmayer

Resumo A partir da antologia Poetas Novos de Portugal, de Cecília Meireles, publicada em 1944 sob a direção do portuguêsJaime Cortesão, discutiremos a importância do trabalho crítico e poético de Cecília Meireles. Embora a antologia em questão seja marcada pela incompletude inerente ao gênero antológico, foi através desta edição, que a autora, mais conhecida como poeta, apresentou não só aos brasileiros, mas também a muitos portugueses, novos poetas do modernismo lusíada, como, por exemplo, Fernando Pessoa, MárioSá-Carneiro e Jorge de Sena, entre outros. O presente trabalho defenderá, assim, que a poeta assumiu o papel de mediadora no diálogo de mão-dupla entre as literaturas portuguesa e brasileira, tornando-se uma importante difusora dos movimentos literários vigentes em ambos os países. Meireles mostrou-se, ao contrário do que divulgou boa parcela da recepção crítica brasileira das primeiras décadas doséculo XX, sobre a produção poética da autora, uma crítica e pesquisadora arguta, conhecedora da relação entre o gênero antológico e o mercado editorial. Palavras-chave: Cecília Meireles; antologia; Portugal; modernismo

Cântico II Não sejas o de hoje. Não suspires por ontens... não queiras ser o de amanhã. Faze-te sem limites no tempo.
Aluna do 5º período da graduação em Letras na UniversidadeFederal de Minas Gerais. Atualmente trabalhando na pesquisa “O pensamento insone em Poetas Novos de Portugal, de Cecília Meireles” cuja orientação é da Professora Dr. Sabrina Sedlmayer, a quem a graduanda auxilia em sua pesquisa incentivada pelo CNPq “Notícia breve ao silêncio completo: antologias portuguesas e brasileiras”.
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Vê a tua vida em todas as origens. Em todas as existências.Em todas as mortes. E sabes que serás assim para sempre. Não queiras marcar a tua passagem. Ela prossegue: É a passagem que se continua. É a tua eternidade. És tu.
Cecília Meireles

A recepção crítica brasileira das primeiras décadas do século XX, de maneira geral, posicionou-se de forma hostil diante da produção literária de Cecília Meireles, poeta esquecida por antologias brasileiras depoesia modernista e que esteve sob as acusações de ser “pouco original, vacilante entre o Parnasianismo e o Simbolismo, imitadora de imitações”2, etc. Há, no entanto, que se lembrar que, se houve hostilidade por parte da crítica brasileira, houve também aceitação e acolhimento por parte da crítica portuguesa, mostrando que resistência contra a produção da intelectual não foi uma unanimidade. Emcontraposição a críticos brasileiros como Agrippino Grieco e Dante Milano (o primeiro maldizia publicamente a obra da poeta e o segundo a excluiu de sua Antologia de Poetas Modernos), temos portugueses como Vitorino Nemésio, Adolfo Casais Monteiro3 e José Osório de Oliveira que escreveu para a poetisa uma carta na qual expressou sua indignação ao saber que Cecília não havia entrado para a antologia deMilano, o que o crítico lusíada considerou falta de reconhecimento à qualidade poética de Cecília por parte dos brasileiros4. Em conformidade com os críticos portugueses citados e tendo como ponto de partida a antologia Poetas Novos de Portugal, organizada e prefaciada por Cecília, defendemos os aspectos modernistas - e modernos - da escritora que antologizou o que de mais vanguardista havia napoesia portuguesa: poetas da revista Orpheu como Fernando Pessoa e Mário de SáCarneiro.

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Palavras de Fernando Cristóvão em “Compreensão Portuguesa de Cecília Meireles”, sobre a idéia que Agrippino Grieco fazia de Meireles. In: Revista Colóquio/Letras. Ensaio, n.º 46, Nov. 1978, p. 20-27.
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Ambos citam Cecília como qualificada poeta modernista respectivamente em: NEMÉSIO, Vitorino....
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