Antropologia e alimentação:

Pages: 267 (66527 mots) Publié le: 7 novembre 2010
HELENA MARIA MAURICIO CANECA RODRIGUES

ANTROPOLOGIA E ALIMENTAÇÃO:

O papel sócio-cultural da Cozinha Alentejana como paradigma da transformação social

DISSERTAÇÃO DE MESTRADO EM CIÊNCIAS ANTROPOLÓGICAS

ORIENTADOR : PROFESSOR CATEDRÁTICO

CARLOS DIOGO PEREIRA MOREIRA

INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIAS SOCIAIS E POLÍTICAS

UNIVERSIDADE TÉCNICA DE LISBOA

LISBOA / 1996

PREFÁCIODisse um cientista social que nas sociedades desenvolvidas as questões alimentares não assumem tanta importância quanto o que sucede nos Países com problemas de fome . Semelhante afirmação parece-nos inexacta porquanto essa problemática encontra-se bem presente no quotidiano dos Países ricos ,embora de modo mais subtil . Todos os dias vemos mensagens publicitárias que compelem a populaçãoao consumo . O móbil é o lucro baseado na extravagancia , no excesso , na criação de apetites artificiais e gostos inovadores . Não são apenas os problemas de carência alimentar que devem despertar a atenção dos cientistas sociais, mas também os da abundância , da desmesura e do desequilibro , uma vez que condicionam fortemente os padrões culturais e toda a gramática culinária que constituem oscomportamentos alimentares dos Países mais ricos .

Optou-se pelo estudo de uma comunidade rural alentejana para contrariar uma atitude na pesquisa antropológica , bastante comum no nosso pais , que privilegia as regiões a norte do Tejo, ou outra diametralmente oposta, o Algarve . Ficou pois decidido centralizar a análise numa freguesia do Distrito de Évora no concelho de Viana doAlentejo - Alcaçovas .

A localização da comunidade não terá sido de todo inocente . Não o foi de facto. Razões porventura sentimentais , laços de parentesco, interconhecimento com diversas famílias daquela freguesia terão influênciado a escolha . Prenderam-se igualmente motivos de ordem prática . Sem cair numa perspectiva emic , procurou-se um lugar onde , pelas razões apontadas , os contactos com apopulação resultassem facilitados .

A estadia no local foi , por razões profissionais , repartida no tempo , durante 24 meses ( 1994-96) . Recorreu-se a uma metodologia diversificada e adaptada ao assunto que se pretendia abordar. Desde a observação participante , feita do convívio e da participação de tarefas agrícolas e domésticas no seio das famílias estudadas, às entrevistas semi-dirigidasa pessoas representativas das diversas camadas sociais , para recolha de histórias de vida de um passado a refletir o presente . Por fim , o questionário aplicado a uma amostra das famílias residentes na freguesia , teve a finalidade de obter dados estatísticos , ou seja , possibilitar uma visão mais abrangente da questão a fim de comprovar a generalização do modelo teórico adoptado.

Devo arealização deste trabalho a várias pessoas , ainda que cada uma deles tivesse um papel diferente neste processo . Refiro-me concretamente à Professora Doutora Maria Manuel Gago Pontes Valagão, pioneira nesta temática , que me chamou a atenção para outros horizontes de pesquisa , graças às suas ideias e aos seus trabalhos originais no nosso País . Devo-o igualmente ao Professor Doutor JoãoBaptista Pereira Neto , que devido ao seu interesse pelo meio rural , especialmente o do sul de Portugal , incentivou a minha vontade de conduzir a dissertação no Alentejo . Á Associação de Desenvolvimento Rural “ Terras Dentro” , que dentro do espirito de solidariedade , interesse e apoio pelos trabalhos desenvolvidos na região Alentejo , especialmente aqueles que focalizam as diversas transformaçõese adaptações por que passam as sociedades camponesas , disponibilizaram meios logísticos para que o projecto chegasse ao fim .

Agradeço ainda a alguns colegas , amigos e famíliares pela disponibilidade nos momentos “ critícos “ , bem como a todas as famílias com as quais contactei mais estreitamente ao longo deste tempo e que foram inestimáveis em boa vontade e interesse.

Finalmente as...
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