A vida dela

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  • Publié le : 15 juin 2010
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A Vida Dela

Ela estava deprimida. Não tinha mais nada a descobrir. Depressão. E ninguém percebia? Por quê? Será que ela teria que falar olá estou deprimida e preciso de ajuda? Isso seria ridículo,piegas, o cúmulo do egocentrismo. Talvez. Ela não sabia mais o que fazer. Mas evitava a todo custo passar por esse momento constrangedor. Sua cabeça pesava, seu pescoço doía. Sentar-se na sua cadeirae escrever, ou ler, ou fazer qualquer outra coisa: impossível. Sair na rua era um martírio. Não acreditava quando se via sem saída. Tenho que sair. Pavor! Tudo a irritava: pessoas muito baixas, muitogordas, muito felizes. Ah, isso era o pior. A felicidade manifesta a incomodava muito. Não é possível existir razão para alguém estar feliz assim. As risadas. As vozes. Era horrível ter que ouvirmuitas vozes misturadas ao barulho dos carros, motos, ônibus, gente, muita gente. Nem o cinema era mais um refúgio seguro. As pessoas agora viam os filmes como se estivessem nos sofás de suas casascomendo, bebendo e comentando cada cena banal da televisão. Era o fim. Só pode ser o fim. Talvez devesse procurar um psicólogo, terapeuta, psicanalista, alguém. Mas e quando sentar no sofá: o que elafalaria? Não. Melhor evitar mais esse momento constrangedor. Ficar em casa até que era bom. Fumava, comia, sentia sono e preguiça à vontade. Sem culpa? Mas também não fazia tudo o que queria fazer,sozinha. Lia, escrevia. Mas a atenção logo se dissipava. Ansiedade. O que ela esperava? Por quem? Não sei. Não sei. Agonia, dentro de seu apartamento pequeno. Muito pequeno. A cidade parecia tão amável vistada janela. Mas aquele sol, aquela gente. Não. Melhor ficar aqui dentro. Quieta. Pensando. No que ela tanto pensava? Podia ficar horas sem fazer absolutamente nada, ao som de alguma cantorapraticamente desconhecida e que usava apenas a voz como instrumento musical. Às vezes dava um aperto no coração. E ela passava a mão no peito. Acariciava seu peito esquerdo, macio. Enfiava a mão por baixo da...
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