Merleau-ponty

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O pensamento político de Merleau-Ponty: entre uma política do entendimento e uma política da razão

Aluna: Alexandra Delaplace

Curso/: Filosofia

No início do prefácio das Aventuras da Dialética, Maurice Merleau-Ponty já anuncia sua renúncia a esperar uma “filosofia da história e do espírito”, já que, segundo o mesmo, “haveria falso rigor em esperar princípios perfeitamenteelaborados para falar filosoficamente de política” (AD, p. VII). Ou seja, o que o filósofo deseja dizer, com estas palavras, é que sua filosofia política ou, melhor dizendo, seu “falar filosoficamente de política” não se situa no nível de uma elaboração teórica propriamente dita, já que essa sistematização, feita principalmente pelos meios acadêmicos a partir da leitura de textos clássicos e da discussãode conceitos por eles mesmos, fora de sua operacionalidade no mundo, parece gerar, na verdade, profundas oposições, como a separação entre sujeito e mundo, invés de solucioná-las. Desta maneira, para se evitar o equívoco da visão intelectualista, é preciso, segundo Merleau-Ponty, pensar a ação sem esquecer-se de sua correspondência concreta no mundo, pois, para o autor, a reflexão sobre a ação nãoestá desconectada da própria ação em si mesma e vise versa. Portanto, para ultrapassar toda limitação de ação ou compreensão, é necessário, então, ligar sobre o signo da oposição “uma política da razão” (aquela de Hegel e Marx), que pretende totalizar, racionalizar toda a história, e “uma política do entendimento” (aquela de Alain e Weber), que pretende reagir a cada evento como se esseconstituísse sozinho um todo. Assim, como iremos tratar num primeiro momento do trabalho, Merleau-Ponty nos propõe um esforço para compreender os limites de uma política do entendimento, já que, como nos diz o prefácio, “a falsa modéstia do entendimento não evita o problema do todo” (AD, p. XI), para então, num segundo momento, nos mostrar, no seio mesmo de uma política da razão, as contradições de umadialética revolucionária que pretendia sintetizar dentro de uma história universal o individuo e a totalidade, o presente e o futuro, mas que, na verdade, não consegue, nem mesmo, evitar o problema da contingência, da particularidade das circunstancias que ocorrem no presente.

Assim, tendo isto em mente, seria interessante lembrar que As Aventuras da Dialética foram escritas por Merleau-Pontyno intuito de explicitar as razões filosóficas que o conduziram a romper com o marxismo revolucionário. Deste modo, segundo o autor, o que era ou deveria ser, ao mesmo tempo, uma crítica as contradições de uma sociedade de exploração e uma política que pretendia eliminar a diferença entre as classes sociais de uma sociedade e dar ao proletariado acesso à política e à história, se tornou, naverdade, como a própria dialética marxista, uma fantasia que encobre “a rudeza do presente sob a bruma de um futuro fictício[1]” para não ter de reconhecer que ela não consegue nem explicar nem resolver as contradições que acontecem efetivamente na realidade.

Deste modo, se para o filósofo francês o marxismo deve ser rejeitado, nós não podemos evitar, entretanto, uma filosofia da história,pois, como nos explica Merleau-Ponty citando Weber, a história não tem um sentido como um rio, mas “sentido[2]”. Ou seja, não existiria segundo o autor, um sentido que parece totalmente exterior aos acontecimentos e que sobrevoaria nossas consciências, mas sim um sentido que emerge das nossas tentativas de compreender a história e a política. Desta forma, para descrever as desventuras da dialéticamarxista, Maurice Merleau-Ponty elabora um percurso um tanto quanto estranho, que passa pela sociologia histórica de Weber até a filosofia política de Sartre, mas que devemos seguir atentamente para poder, então, apreender o sentido de sua empreitada.

Assim, como bem nos indica o prefácio, o ponto de partida de Merleau-Ponty começa “no momento em que, com Max Weber, a política de...
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